quarta-feira, 5 de setembro de 2007

As Devidas Apresentações

Eu tinha três escolhas óbvias logo nas três primeiras horas do meu dia, pão com queijo, capuccino e "o pulo do gato" na carona com meu pai.
Claro que nenhuma delas muda completamente minha vida, claro que nenhuma delas é relevante para a perspectiva de fim de mundo latente que vem por aí com as complicações do meio ambiente e tal. E fique claro que esse meu 'claro' é nada mais que deboche.
É que logo pela manhã tenho mau-humor. E no meu mau-humor ponho me a pensar sobre o que eu deixo pra trás: roupas, sapatos, bolsas velhas, pessoas (algumas no meio da multidão, no escuro, tentando entender onde a ficante de cinco minutos atrás tinha se enfiado), passagens e sonhos. Nada que ficou pra trás é passado, é tudo terra. E das coisas que estão à sete palmos digo eu: talvez valha a pena dizer algumas palavras em memória.
Mas tão descronológica é a memória, que, ao olhar pra trás vi só o que talvez viesse pela frente.
E o braço direito avisou o esquerdo pra começar a escrever. Estivesse ele preparado ou não.
Eu, Juliana Cimeno, corto a fita desse aborto da internet, e apresento-os o "do óbvio aos avesso" .



"Um colega da Última Hora me perguntou: 'quais seriam as suas últimas palavras?' Para um sujeito com quarenta e um graus de febre, esta piada é de uma crueldade mortal. Eu disse a ele: Minhas últimas palavras são as seguintes, 'que boa besta é o Marx!'. Eis um momento em que o sujeito não faz pose, porque, na hora de morrer, cada um fica atribuladíssimo com a própria morte. Sem fazer a menor pose - e achando que ia morrer - eu disse, então, aquelas que seriam minhas últimas palavras: 'Marx é uma besta!"
Nelson Rodrigues

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