quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Why I fear psychologists


A sensação é a de desistir, já sem oxigênio e força, de chegar à superfície. Flutuar em águas profundas, sem lutar contra a pressão ensurdecedora e a visão turva. Eu a água somos uma. Água dentro e fora – água em todo lugar. E há um barulho, um zunido. Ou talvez seja o silêncio. Vazio...Quase imenso. E então eu acordo.


...

Tinha um plano traçado: escreveria sobre mim hoje. Não sobre sensações aleatórias e inomináveis. Mas verdades e mentiras, bois marcados, páginas do livro – e qualquer outra expressão que se use para designar histórias pessoais.

A necessidade nasceu durante a banca do TCC de uma garota do meu curso, que aconteceu hoje, algumas horas atrás. O projeto apresentado fora um livro reportagem. A aluna narrou sua própria experiência com a obesidade, o transtorno alimentar, o tratamento, a repercussão de tudo isso na família, na vida amorosa, no trabalho, etc.

Confesso que absorvi pouco do que acontecera na ocasião. Ao invés disso, mergulhei no já citado livro. Cerca de 67 páginas do jornalismo mais pessoal do qual eu já tive conhecimento.

Senti, de repente, que lia as páginas de um diário. Vaguei pelas memórias registradas tempo o bastante para que essa apresentação terminasse, e outra tivesse início. Cheguei ao final do livro. E, de repente, uma sensação estranha invade minha cabeça. O que há de errado comigo?

Eu, que passava metade do meu tempo com um lápis e um caderno na mão, anotando até o número de vezes em que pensava no garoto de quem costumava gostar; hoje, não tenho a capacidade de reproduzir meus próprios pensamentos. Qualquer situação que remeta à “território conhecido” me paralisa, me enjoa o estômago (literalmente), me deixa tonta, ansiosa e irritável.

Ser superficial com sensações é mais fácil, mais seguro. Como disse David Cook: se colocamos muita luz, podemos ver todas as rachaduras. E, é, eu sou uma pessoa problemática. Comigo mesma, com as pessoas ao meu redor, com a ausência delas, com tudo.

Na maioria das vezes, sinto como se estivesse segurando as partes do meu corpo coladas. Que se eu soltar, mesmo que por um momento, tudo vai cair e eu vou desmontar. Quebrar. Ruir. Deixar de existir. Pof. E talvez eu tenha razões para isso. Talvez eu não tenha. A questão é que, no meio do meu processo de “como viver melhor”, entrei em um universo – que aparentemente é onde todo mundo vive – no qual devo simplesmente continuar segurando as partes, e abrir o maior sorriso, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

Eu. Não. Entendo. Esse. Conceito.

Mas sigo, como pode perceber. Fugindo à regra por hoje, enquanto meus instintos ainda estão confusos pela leitura do livro, que tocou em tantos pontos “fracos” do meu passado e presente.

Enfim...É um caso de "decrifra-me ou devoro-te".

2 comentários:

  1. Bom dia Ju, ao assistir a banca ontem me senti um grão de areia no mundo, nós somos pequenos demais e valorizamos coisas idiotas, ontem presenciei muita mais do que um apresentação de TCC e sim um depoimento de uma pessoa que se sentia sufocada a tempos a espera de uma oportunidade para talvez colocar tudo pra fora, talvez isso nem resolva seus "transtornos" mas concerteza a fará uma pessoa muito mais leve.
    Gostei do texto do seu blog, essas histórias são surpreendentes e nos fazem refletir melhor sobre nossos "problemas" que muitas vezes nem são problemas.

    Beijo Jú, sucesso.

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  2. Jú (posso chamar assim?),

    O Tiago comentou sobre o seu post comigo e vim até aqui para olhar.

    Não siga conceitos que não sejam os seus. Não segure suas partes, solte-as, e depois, quando se sentir preparada junte-as.

    Fico feliz que tenha gostado do livro.

    Um beijo e sucesso, sempre!

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