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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sobre a história que minha irmã contou

Imagem: Clavichord


Eu vivo dizendo que eu gosto de ouvir histórias. E agora vou dizer também que, além de gostar das histórias, em si, gosto de como elas são contadas. Os detalhes que nascem do estilo da narração, do clima e do talento que cada um tem para a coisa.

Quando minha avó me conta uma história, por exemplo, eu tenho um vislumbre de como as coisas eram no passado. Do gosto da comida, dos costumes, das roupas e de outros detalhes da vida no interior.

Quando a história vem do meu pai, conheço a realidade de um moleque arteiro, que gosta de brincar na rua, empinando pipa. De um adolescente típído dos anos 70. De um adulto que aprendeu a ser honesto ao observar a desonestidade alheia.

Já minha mãe gosta dos detalhes. Das cores, das sensações, dos sentimentos e do vento. Ela adora contar uma história.

Mas hoje quem me contou uma história foi a minha irmã, a Giovana. Gi. A história, no caso, é essa abaixo. Psiquê e Eros - que ela aprendeu na escola, na aula de História. E eu, babona de little sis, resolvi compartilhar o momento. Fico sempre imensamente feliz quando ela volta para casa empolgada com alguma coisa nova que aprendeu :)




Gi: Ju, você conhece a historia de Psiquê e Eros?

Ju: Não lembro, como é?

Gi: Aquela lá que tinha três irmãs.

Ju: Uhm, e aí?

Gi: Ai tinha a Psiquê, que era tão linda que vinha gente de longe só pra apreciar sua beleza e tals. A beleza dela era tanta que algumas pessoas deixaram de ir aos templos de Afrodite jurar respeito, e isso deixou ele com raiva. E cada vez ia perdendo mais gente.. Teve um dia que ela mandou o filho dela Eros, o "cupido lá", deus do amor, fazer ela se apaixonar pelo homem mais desprezível, mas ele se apaixonou, e não cumprio o combinado.

Ju: CumpriU, Gi.

Gi: Tá. Ai as irmãs dela se casaram e a Psiquê ficou só. Triste. Ai os pai dela foram consultar o Oráculo e o Oráculo falou que Psiquê era a ovelha negra da família, que não podião se enganar com a beleza dela. Ai a Oráculo mandou jogar ela no deserto bem longe

Ju: PodiAM, Gi.

Gi: Ah, ok. Pra ela nunca mais conseguir voltar o.o

Ju: Credo.

Gi: Ai os pais dela fizeram isso e ela ficou vagando pelo deserto. Ai que ela desmaiou. Ela acordou num palácio, maravilhoso, onde tinha varias pessoas servindo ela e tals. Ai ela perguntou "Quem é o dono desse palácio? Tão boa pessoa me trata tão bem". Ai teve um mordomo lá que falou assim "O nosso amo é maravilhoso mesmo e se encantou com sua beleza, mas é só isso que eu posso lhe contar".

Ju: E aí?

Gi: Huum. Tá deixa eu ver. Esqueci.

Ju: Êêêê...

Gi: Ah tá! Ai a psique percebeu que toda noite deitava alguém ao seu lado e ficava lhe observando, mas como tava escuro ela não conseguio saber quem era.

Ju: conseguiU, cabeção.

Gi: E isso se repetiu varias vezes até que ela perguntou "Que está ai?" (era o Eros). Ele falou "Aquele que te ama. Você nunca poderá me ver, mas poderá me sentir". Ai toda eles conversavam e psique se apaixonou mesmo sem saber como ele era. Se entregou e pans. Fizeram amor. Lalalá.

Ju: rs

Gi: E teve um dia que bateram na porta do castelo. Eram duas mulheres, vendendo frutas. Psiquê foi atender o portão e eram suas irmãs. Ai teve toda aquela historia de Como você tá?", ai ela falou "Eu tô bem, tô apaixonada". Ai elas "Por quem? Como ele é?", aí ela "Não sei, eu nunca o vejo. Eu o sinto, nos encontramos de noite". Ai as irmãs dela "Nossa como assim? Você precisa saber quem é! E se for um monstro?

Ju: Ai ai, que chatas.

Gi: Ai a Psiquê ficou remoendo.. E decedio que de noite enquanto ele dormia ligaria uma lamparinha e veria seu rosto e dormiria enfim em paz.

Ju: DecidiU, pentelha. E eu acho que é lamparina.

Gi: Ai depois de toda aquela noite.. Ele dormiu. Ela foi lá de mansinho, pegou a lamparina e ligou. Se espantou com tal perfeição do deus Eros que deixou a lamparina cair no chão. Ai o barulho acordou ele e ele, com aquela cara de poker face... "Não vou mais poder te ver Psiquê... Eu sou um deus você é uma mortal e tals...". Ai ele foi embora, falando que ele não devia ter se apaixonado por uma mortal...

Ju: Oh, dó.

Gi: Psiquê chorou, ficou triste e sua beleza foi-se embora. Zeus então foi conversar com a pobre menina que só chorava... Ai ela contou pra ele de Eros e Zeus falou assim "Se você reunir fios de ouro de não sei aonde, e bla bla bla de não sei aonde, para provar o seu amor, eu te levo para o Olimpo". Só que as missões que ele deu eram, tipo, impossíveis. Mas mesmo com toda a dificuldade, ela tentou. Quase morreu em todas as missões...

Ju: Meu deus, que dureza.

Gi: Ai na ultima, Psiquê não aguentou e desmaiou, quase morta. Zeus apareceu pra ela e disse "Basta Psiquê. Já vi suficiente para saber que seu amor é puro, vou leva-la comigo para o Olimpo. Será uma de nós e poderá ficar ao lado de Eros!". Ai Zeus entregou Psiquê nas mãos de Eros e os dois viveram felizes \õ. A única mortal que se tornou deusa.