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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

sobre o guardião invisível


Ler ouvindo: Yellow Flicker Beat, Lorde.

Ele me falou sobre o bem e o mal, e sobre as criaturas que destroem sem nunca criar.

Naquela noite, o céu ficou quieto e escutou enquanto eu descobria coisas que não sabia. Enquanto as articulações do meu cérebro faziam ligações perigosas e impossíveis. Enquanto eu balanceava o peso da culpa e a leveza da absolvição.

Talvez o silêncio fosse o prelúdio de algo. Uma porta antiga abrindo e revelando um caminho que eu nunca ousei explorar.

Olho por através dela e vejo um corredor cheio de portas. Sei que há passarinhos soltos em salas imensas onde o sol bate sem precisar de nenhuma fresta e que o vento sopra livre, sem esperar permissão.

Sei que há salas vazias, entupidas de solição, criaturas que habitam o escuro, esperando pelo nome e forma que os trazem para a luz.

Sei que há sonhos. Estilhaços de mensagens que se juntam para formar um espelho, um riacho, um reflexo daquilo que ainda não habita a minha consciênca, mas quase.

Mas não passo pela porta hoje.

Hoje eu penso sobre o bem e o mal, sobre criaturas que destroem sem nunca criar. Sobre o meu amuleto quebrado no chão.

Sobre a morte de um guardião invisível. E a culpa de não falar sobre isso.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sobre os corredores na minha mente


Foto: Tom C.




Alguns corredores são feitos de lembranças
Da essência pegajosa dos sonhos e dos pesadelos
- e de tudo o que pudermos imaginar.

São tão longos quanto a própria dúvida
Tão intrincados quanto o próprio medo
Iluminados por um tipo de esperança,
que cresce desenfreada pelos cantos das paredes.

Algumas lembranças são como corredores
De essência dura como os traumas e os desejos
- e de tudo o que não tentamos conquistar

Tive curiosidade e espiei. Por entre os degraus largos que terminavam no único andar. Era chão frio, liso e escuro, como água pintada de negro. Paredes brancas e sem marcas, como papel intocado. Vi portas, porque tinha segredos. Mas vi pouco, porque os desconhecia. Todos dispostos em ordem alfabética, catalogados e resolvidos pela parte de mim que e não sabia que existia. Encontrei o passado, o presente e uma pequena amostra do que viria, mas não vi eu mesma. Porque me esqueci.