segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Free Fallin'

. quem gosta de abismos tem que ter asas - Antônio Abujamra


- Faz um tempo que não te ligo, não é?
- Tempo demais
- E você sabe pra que liguei?
- Pra me pedir um favor.
- ...
- O que foi? Te ofendi? Mas é que você só liga pra pedir favor!
- Não foi isso
- O que é então?
- Não adianta, agora não quero dizer...Você cortou meu barato.
- Ah, qual é. Me diz o que é!
- Não quero. Você me acha oportunista.
- Você me acha lerdo, estamos quites! Agora me diz.
- ...
- Julia?
- Oi
- Não chora
-Não es....
- Também sinto sua falta.

...


ESTÚPIDO ISSO, eu SEI. Mas não me oprima! rs

domingo, 13 de setembro de 2009

Aquele do concurso do salto alto

É difícil identificar quais são os momentos que vão ficar gravados mais claramente em nossas mentes durante a vida.
Não quero dizer os traumas. Ou as grandes conquistas. Ou aquele beijo, aquele cheque, aquela compra ou aquele episódio de tal série...Quero dizer os pequenos detalhes. Aquelas cenas que brotam em nossa mente quando ficamos velhos demais para fazer festas do pijama e de repente, sentimos falta.
Aquela cena em que ao lembrar, nos sentimos inocentes. Nostalgia que afoga os sentidos de um jeito bom e também ruim.
Aquilo que vai te fazer se agarrar às raízes e desistir de fugir e deixar tudo pra trás, ou apertar o acelerador...
Um detalhe...Uma cena...Um pensamento.



[...]

- já pensou se todas nós ganharmos? - e se fez um silêncio contemplativo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

One Night Stand

Sentiu o calor do sol fraco da manhã aquecer suas costas nuas levemente. Deixou a sensação se condensar antes de pensar em abrir os olhos para a realidade. Num segundo, porém, se fora. Sua mente era bombardeada com pensamentos e lembranças diversas.
Uma enxurrada, uma queda, um sonho.
Lembrou-se da noite passada. Dos olhos que penetravam em seu interior sem nenhuma censura ou misericórdia. O perfeito cavalheiro que atravessava o salão em três passadas e lhe servia o champagne. Carlos, Eduardo, Luis...Algo do gênero. Seu nome não era importante.
Não. Mas seu jeito de andar era. E também seu sorriso, seus ombros largos, suas mãos e todos os gestos mais. Mais. Fora esse o seu mantra repetido durante cada segundo da noite passada.
Não falara, porém, em nenhum segundo.
Lembrava-se do calor, da força de colisão, dos suspiros, dos gemidos. Seu corpo. O corpo dele. Nenhuma linha de separação. Nenhum limite. Nenhuma roupa. Nada. Não sentiu arrependimento.




Porém, quando suas mãos exploraram a cama em procura pelo acompanhante, voltaram vazias.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Venusianas Não Perdoam

[edit] - corrigido, graças ao comentário ^^'


- inspirado na história do livro "Como Escapei do Triângulo das Bermudas", pelo próprio Dupont ;D


MUITO BEM CONSERVADA, a alma de mil e novecentos anos da Almaram Diana, uma dama venusiana presa à um frágil e ultrapassado corpo humano, vagava pelas ruas de Curitiba com o último fio de esperança que lhe restava.
Nas últimas semanas, tudo o que pode apreciar fora a estrada desaparecendo atrás de si enquanto fugia da pena de morte lançada pelos anciões da corte Almarana por ter traído seu povo para salvar um humano - seu amado Dupont.
Depois de fazer seu caminho para fora do triângulo de proteção da fortaleza do seu povo, a primeira coisa que Diana fez foi trocar de corpo, afinal, nunca gostara de morenas. Encontrou seu caminho para civilização, portando agora uma loira poderosa, esperando encontrar pistas sobre Dupont em algum lugar.
Chegando ao Brasil, local natal do humano que buscava, qual foi sua supresa ao encontrar a divulgação da obra entitulada "Como Escapei do Triângulo das Bermudas", onde Dupont contava sua aventura pelo mundo escondido de Almarama. Leu as palavras ávidamente, em busca de algo que a levasse até Dupont. Em suas páginas finais, encontrou algo que renovou suas energias e firmou seu caminho até o humano.
Algumas ruas, cidades e estados depois. Diana abriu a última porta que a separava de Dupont e, encarando-o, esperou que ele dissesse algo:
- Olá, posso ajudá-la? - disse ele sem reconhecer o novo corpo da Almaram.
Diana ergueu o braço esquerdo, onde segurava uma arma neurotransmissora de particulas tóxicas e atirou, matando Dupont.
- Pode começar me explicando porque é que está casado com a minha irmã - disse a Almaram.


Afinal, Venusianas traídas nunca perdoam.

Desvairo

Tenho interesses variados. Minha formação não delimita minha visão e minhas preferências não são traçadas pelo pré-julgamento da 'classe' dos jornalistas (ou, como diria o Eduardo, da Metropolitana, o 'bando').
Procuro, é claro, me manter informada sobre as notícias mais 'movedoras' e relevantes aos moradores do planeta terra, mas me dou o completo direito de ler/assistir/escrever o que e como eu bem entender quando não estou dentro das quatro paredes amareladas do escritório.
Gosto de leitura light. Detesto leitura técnica.
Algumas pessoas, por costume ou preconceito, tendem a achar que esse tipo de comportamento é um apego injustificável à adolescencia (que, pra falar a verdade, ainda nem esfriou no caixão), ou que é simplesmente criancisse (diz minha mãe).
Não vejo como, nem porque. Se escolhi ser jornalista, isso não significa que 24 horas dos 7 dias da semana devam ser gastos exercendo a profissão! Nem que cada pensamento que me ocorra deva ter relação com o mesmo.
Sacada: Sou jornalista, o jornalismo não me é. Capice?
Talvez não seja comum encontrar por aí marmanjas de 19 anos que gostam de ler Meg Cabot, Stephenie Meyer e Sophie Kinsella...Bom, eu gosto da idéia de não ser comum. Assim como gosto dos meus livros.
Hoje, voltando do horário do almoço, encontrei uma garota que trabalha no '0800' da Universidade (atendimento telefônico). Me perguntou o que eu estava lendo e eu indiquei a capa do livro, que ela olhou com expressão de "Como ela consegue ler isso?".
Me perguntou se era bom, disse que sim. Aí, então, achou que era interessante tentar ser engraçada e me disse "Ah, quando eu estava no ensino médio lia um livro de literatura por SEMANA. Agora só consigo tempo para ler meus livros da faculdade".
Sou uma boa pessoa, então deixei de comentar sobre a supercapacidade dela em ler NA VELOCIDADE DA LUZ, um livro em uma semana (sarcasmo) e sobre como eu DUVIDO que ela não tenha mesmo tempo.






Cortei a conversa ali e fui escovar os dentes.
Não tenho paciencia pra quem se acha importante demais para leitura simples.

Resultado do Ócio Perigoso

A garota não parecia ter mais do que 18 anos, seus cabelos negros caíam lisos até o meio das costas, a franja comprida atrapalhava a visão e sombreva o rosto pálido.
Vestia o velho uniforme do colégio interno, a saia de prega azul marinho e a camisa brança ainda serviam e formavam junto à cena, uma grande ironia anacrônica.
Sua mente estava clara, quase leve. Tão vazia que era quase insuportavel continuar em silêncio.
Louie levantou o braço esquerdo em direção à mulher em sua frente, a arma ainda travada parecendo um peso morto em sua mão.
A mulher mudou de posição, desconfortável. A expressão era dura e imutável, mas algo em seus olhos demonstravam incerteza...Medo.
Alex encarou Louie, sua filha, pela primeira vez desde que essa entrara na sala. As linhas de seu rosto indicavam que a ausência de qualquer controle, indicavam que a bandeira branca estava agora fora de cogitação.
Alex sorriu, os cantos da boca retorciam-se em humor. Suas mãos largaram os papeis em sima da mesa e se juntaram num sinal de contemplação.
- O que acha que está fazendo, menina? - sua voz saiu firme.
Louie soltou o casaco do uniforme, que segurava rente ao corpo, antes escondendo a arma. Quando a peça tocou o chão, a mulher pôde notar que não era a única coisa que ele escondia.
A camisa branca grudava no corpo na altura da barriga, manchada de algo que parecia ser...Sangue.
Os olhos de Alex, assim como a garota esperava, se iluminaram involuntariamente. Estava feito.
- Entendo - disse, sem se mover - Bom, se estava perto quando aconteceu, tenho certeza que viu os dois lados da situação. Era a sua segurança ou a dela.
- E não a sua, você não tinha nada com isso - Louie disse num suspiro, a voz baixa e rouca, soando como a de outra pessoa à seus próprios ouvidos.
- Você é minha filha, tinha tudo a ver comigo. Não aja como uma ingrata.
Louie não respondeu, seus dedos alcançaram a trava da arma, soltando-a. Estava a um clique, um segundo, uma batida de coração de acabar tudo aquilo. Não hesitaria.
- Você não vai me matar - concluiu Alex - Não vai matar sua própria mãe. Você não tem coragem o bastante...Isso a tornaria uma de nós.
- Infelizmente - interrompeu a garota- A única pessoa que convenceria do contrário está agora à seis palmos abaixo da terra...Então salve o fôlego.
Antes mesmo que pudesse temrinar a franse, apertou o gatilho.
A arma soltou um estampido seco, alto e o metal em sua mão se tornou quente.
Fechou seus olhos automaticamente. O revolver rolou para o chão enquanto seus joelhos começavam a tremer e perder a força.
Obrigou os olhos a abrirem e as pernas a permanecerem firmes.
A bala pendia no ar, entre a mulher e a garota, Alex recostava-se na parede, em alerta, mas incapaz de se mover.
Louie sabia, e preferia não saber, o que havia acontecido.
Num milésimo de segundo, a bala mudou seu curso, atingindo em cheio seu coração.



Estava terminado.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Delírios de Literatura de Juliana Cimeno

Depois de muito tempo traumatizada com os R$16 de multa da biblioteca por não devolver O Almanaque das Séries na data certa, hoje resolvi entrar na mesma e não pegar nada. Furada, óbvio. Na primeira olhada já coloquei meu nome na lista de espera de Os Contos de Beedle, O Bardo, da JK Rowing (que eu, péssima fã, ainda não li) e Crepúsculo, da Stephenie Meyer (que eu, ótima fã, já li todos os livros da série, mas com meu salário de estagiária só comprei o Lua Nova e o Eclipse).
Comecei a me sentir meio neurótica com a situação toda. Principalmente depois de ler Delírios de Consumo de Becky Bloom (que, aliás, é um tremendo porre. O filme é muito mais romântico e interessante), onde vi uma garota histérica que explica sua falta de auto controle com a desculpa 'É um investimento' - Explico: Rebeca Bloom é uma jornalista com compulsão por comprar. Mesmo depois de ser caçada por cobradores de diversas lojas, ainda entra de cara limpa em botiques de grifes absurdamente caras e compra tudo o que vê pela frente...Depois, para acalmar a consciência, diz: Gastei, mas foi um investimento. Me desculpe, Becky, 2 podes tamanho família para creme de pescoço só é investimento se você for uma girafa...Ou tiver terríveis assaduras no pescoço (o que seria nojento).
O que isso tudo tem a ver? Bom...Eu vivo fazendo minhas auto-promessas: Vou parar de comer doce durante a semana, não vou gastar tanto dinheiro, não vou pegar mais livros do que posso ler, vou começar a fazer os trabalhos da faculdade com antecedência, vou fazer chapinha toda quarta e sexta...Bem, se cumpro durante alguns dias já é lucro. Quando muito, invento alguma saída que faça a quebra da regra mais lógica do que a própria.
A biblioteca é um exemplo simples disso. Na minha estante de espera em casa, tenho pelo menos 6 livros, todos perfeitamente interessantes. Mas quando entro numa livraria ou biblioteca, sempre perco de vista o motivo pelo qual o achei interessante e encontro algo que PRECISO ler naquele momento, como "Russian para Dummies" e "A Arte Perdida de Guardar Segredos" (esse, dizem, é de uma autora considerasa a Jane Austen dessa geração). Até "Marcada", cópia fajuta de Crepúsculo me chamou a atenção. Fala sério.
Decidi, então, fazer uma lista de prioridades com os 20 minutos que me restavam de almoço, com tudo o que precisava ler para a faculdade e para o trabalho primeiro e os livros que tinha na minha estante espera na sequencia, além dos que tinha em mente comprar, baixar ou emprestar. Minha resolução: só passaria para o próximo ítem após terminar o de cima.
Me senti ótima com a decisão, como se tivesse tomando as rédeas do meu caos pessoal, ou coisa do gênero. Afinal, podia ser controlada e organizada.




Na saída, aluguei Macbeth, de Shakespeare.
Que não era prioridade de estudo e nem estava na lista
....Talvez na próxima.