A garota não parecia ter mais do que 18 anos, seus cabelos negros caíam lisos até o meio das costas, a franja comprida atrapalhava a visão e sombreva o rosto pálido.
Vestia o velho uniforme do colégio interno, a saia de prega azul marinho e a camisa brança ainda serviam e formavam junto à cena, uma grande ironia anacrônica.
Sua mente estava clara, quase leve. Tão vazia que era quase insuportavel continuar em silêncio.
Louie levantou o braço esquerdo em direção à mulher em sua frente, a arma ainda travada parecendo um peso morto em sua mão.
A mulher mudou de posição, desconfortável. A expressão era dura e imutável, mas algo em seus olhos demonstravam incerteza...Medo.
Alex encarou Louie, sua filha, pela primeira vez desde que essa entrara na sala. As linhas de seu rosto indicavam que a ausência de qualquer controle, indicavam que a bandeira branca estava agora fora de cogitação.
Alex sorriu, os cantos da boca retorciam-se em humor. Suas mãos largaram os papeis em sima da mesa e se juntaram num sinal de contemplação.
- O que acha que está fazendo, menina? - sua voz saiu firme.
Louie soltou o casaco do uniforme, que segurava rente ao corpo, antes escondendo a arma. Quando a peça tocou o chão, a mulher pôde notar que não era a única coisa que ele escondia.
A camisa branca grudava no corpo na altura da barriga, manchada de algo que parecia ser...Sangue.
Os olhos de Alex, assim como a garota esperava, se iluminaram involuntariamente. Estava feito.
- Entendo - disse, sem se mover - Bom, se estava perto quando aconteceu, tenho certeza que viu os dois lados da situação. Era a sua segurança ou a dela.
- E não a sua, você não tinha nada com isso - Louie disse num suspiro, a voz baixa e rouca, soando como a de outra pessoa à seus próprios ouvidos.
- Você é minha filha, tinha tudo a ver comigo. Não aja como uma ingrata.
Louie não respondeu, seus dedos alcançaram a trava da arma, soltando-a. Estava a um clique, um segundo, uma batida de coração de acabar tudo aquilo. Não hesitaria.
- Você não vai me matar - concluiu Alex - Não vai matar sua própria mãe. Você não tem coragem o bastante...Isso a tornaria uma de nós.
- Infelizmente - interrompeu a garota- A única pessoa que convenceria do contrário está agora à seis palmos abaixo da terra...Então salve o fôlego.
Antes mesmo que pudesse temrinar a franse, apertou o gatilho.
A arma soltou um estampido seco, alto e o metal em sua mão se tornou quente.
Fechou seus olhos automaticamente. O revolver rolou para o chão enquanto seus joelhos começavam a tremer e perder a força.
Obrigou os olhos a abrirem e as pernas a permanecerem firmes.
A bala pendia no ar, entre a mulher e a garota, Alex recostava-se na parede, em alerta, mas incapaz de se mover.
Louie sabia, e preferia não saber, o que havia acontecido.
Num milésimo de segundo, a bala mudou seu curso, atingindo em cheio seu coração.
Estava terminado.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Feets On The Clouds
Uma estrada vazia e sombria, podia muito bem levar a lugar nenhum por seu aspecto sem vida. Mas eu sabia, sabia onde aquilo acabava.
Nos sonhos vagamos pela mais alta das núvens e o mais fundo dos oceanos...Tenho o costume de ficar no meio, na terra, observando as pessoas enquanto dormem...Suas mentes nos abrem caminhos, costumes, idéias e imagens.
Algumas pessoas me apontam para o sul como se fosse um pássaro. De certo que em sonhos voar não é problema...Outras pessoas seguram minha mão e não me deixam ir, dessas eu tenho medo, pois em seus pesadelos me afogo: penhascos, incendios, armas de fogo, monstros dos espelhos, similaridades com a vida...Coisas que não quero ver. Me desvencilho cuidadosamente e digo adeus.
Varro os pensamentos para longe e me concentro na estrada.
Pego sua mão, entrelaçada na minha, sorrio. Você tem medo do escuro, quase esqueci.
Vejo curiosidade, dúvida e medo em sua face...Sua mão não diz a mesma coisa, segura firme na minha e determinada.
E nós caminhamos. Você diria algo se no meu sonho você não fosse muda.
Eu não diria, mesmo se pudesse. Porque a parte de mim que fala se escondeu lá no fundo, segurando as feridas que sangravam e prometeu nunca mais sair. Achou um pouco engraçado e riu de sua própria miséria.
Sou toda de gestos. Significados. Olhares.
Andamos no asfalto seco com os passos ecoando ao nosso redor. Com a ansiedade que me cerca não consigo evitar, solto-lhe com um olhar infantil e disparo a correr. Você em minhas canelas.
Meus cabelos voando com o vento que batia em minha face, seus cabelos descançados no penteado de sempre, num misto de usual e fantasia.
Sou a primeira a chegar à extremidade da estrada, você segundos depois.
Á nossa frente um grande e redondo lado. A luz trêmula do sol refletia da superfície em nossas roupas.
Aponto minha mão para a água e você pode ver, e pela primeira vez deseja falar mais do que nunca.
Vê nosso reflexo. Mas não um reflexo usual.
Levanta e olha em volta, não há muita coisa...Volta o olhar para o reflexo e descobre casarões de pedra ao nosso redor...E nós, não poderia sermos nós, certo?
Me olha com urgência nos olhos e eu penso forte o bastante para que possa ouvir "Eu vou pra lá".
Você acente e se levanta, parando ao meu lado em posição de espera.
E pulamos. E submergimos...
O nosso mundo leva a crer que o fato de nunca mais termos voltado significa nossas mortes...Mas você sabe tanto quanto eu que isso é impossível.
Porque de lá de dentro vi a luz da superfície e a alcancei...Os casarões de pedra à nossa volta. E nossos reflexos, bem...Nada que alguém além de nós reconhecesse...
L- Sometimes, I wish your feets were in the earth for a bit...Of course I would beat you up until you got back to normal...But, you know.
Nos sonhos vagamos pela mais alta das núvens e o mais fundo dos oceanos...Tenho o costume de ficar no meio, na terra, observando as pessoas enquanto dormem...Suas mentes nos abrem caminhos, costumes, idéias e imagens.
Algumas pessoas me apontam para o sul como se fosse um pássaro. De certo que em sonhos voar não é problema...Outras pessoas seguram minha mão e não me deixam ir, dessas eu tenho medo, pois em seus pesadelos me afogo: penhascos, incendios, armas de fogo, monstros dos espelhos, similaridades com a vida...Coisas que não quero ver. Me desvencilho cuidadosamente e digo adeus.
Varro os pensamentos para longe e me concentro na estrada.
Pego sua mão, entrelaçada na minha, sorrio. Você tem medo do escuro, quase esqueci.
Vejo curiosidade, dúvida e medo em sua face...Sua mão não diz a mesma coisa, segura firme na minha e determinada.
E nós caminhamos. Você diria algo se no meu sonho você não fosse muda.
Eu não diria, mesmo se pudesse. Porque a parte de mim que fala se escondeu lá no fundo, segurando as feridas que sangravam e prometeu nunca mais sair. Achou um pouco engraçado e riu de sua própria miséria.
Sou toda de gestos. Significados. Olhares.
Andamos no asfalto seco com os passos ecoando ao nosso redor. Com a ansiedade que me cerca não consigo evitar, solto-lhe com um olhar infantil e disparo a correr. Você em minhas canelas.
Meus cabelos voando com o vento que batia em minha face, seus cabelos descançados no penteado de sempre, num misto de usual e fantasia.
Sou a primeira a chegar à extremidade da estrada, você segundos depois.
Á nossa frente um grande e redondo lado. A luz trêmula do sol refletia da superfície em nossas roupas.
Aponto minha mão para a água e você pode ver, e pela primeira vez deseja falar mais do que nunca.
Vê nosso reflexo. Mas não um reflexo usual.
Levanta e olha em volta, não há muita coisa...Volta o olhar para o reflexo e descobre casarões de pedra ao nosso redor...E nós, não poderia sermos nós, certo?
Me olha com urgência nos olhos e eu penso forte o bastante para que possa ouvir "Eu vou pra lá".
Você acente e se levanta, parando ao meu lado em posição de espera.
E pulamos. E submergimos...
O nosso mundo leva a crer que o fato de nunca mais termos voltado significa nossas mortes...Mas você sabe tanto quanto eu que isso é impossível.
Porque de lá de dentro vi a luz da superfície e a alcancei...Os casarões de pedra à nossa volta. E nossos reflexos, bem...Nada que alguém além de nós reconhecesse...
L- Sometimes, I wish your feets were in the earth for a bit...Of course I would beat you up until you got back to normal...But, you know.
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